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Síntese de Alguns Aspectos da História da Educação - Prof. Jorge Schemes

Linha do Tempo da História da Educação | Esboço Resumido

 


ESBOÇO RESUMIDO DA LINHA DO TEMPO DA HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO

Por:

A História da Educação acompanha as transformações das sociedades humanas. Desde as formas tradicionais de transmissão oral dos conhecimentos até as atuais discussões sobre tecnologia, inteligência artificial, inclusão e aprendizagem ao longo da vida, a educação sempre esteve relacionada à cultura, à organização social, à política, à religião e às concepções de ser humano.

1. EDUCAÇÃO NAS SOCIEDADES PRIMITIVAS

Antes de 3.000 a.C.

Características:

  • Educação predominantemente oral e prática.

  • Aprendizagem pela observação, imitação e participação nas atividades do grupo.

  • Transmissão de costumes, crenças, técnicas de sobrevivência e valores.

  • Ausência de instituições escolares formais.

Referência teórica: Émile Durkheim compreende a educação como um processo fundamental de socialização, pelo qual cada geração transmite às novas gerações os conhecimentos e valores necessários à vida coletiva.

Ideia central: Aprender era participar da vida da comunidade.


2. EDUCAÇÃO NAS CIVILIZAÇÕES ANTIGAS

Aproximadamente 3.000 a.C. – 500 a.C.

Egito, Mesopotâmia, Índia e China

A educação passa gradualmente a ser institucionalizada e relacionada à escrita, à religião e à administração do Estado.

Características:

  • Formação de escribas e funcionários.

  • Ensino da escrita, matemática e religião.

  • Forte influência das autoridades religiosas.

  • Educação diferenciada conforme a posição social.

Na China, posteriormente, Confúcio (551–479 a.C.) destacou a importância da educação moral, da disciplina e da formação do indivíduo para a vida social.

Ideia central: Educar significava preservar a cultura e preparar indivíduos para determinadas funções sociais.


3. EDUCAÇÃO GREGA

Séculos V–IV a.C.

A Grécia representa um dos momentos decisivos para a formação do pensamento educacional ocidental.

Sócrates (470–399 a.C.)

Defendeu o diálogo como instrumento de investigação e formação intelectual.

Seu método baseava-se no questionamento e na busca racional pelo conhecimento.

Contribuição: educação como desenvolvimento do pensamento crítico.

Platão (427–347 a.C.)

Na obra A República, apresenta uma concepção de educação vinculada à formação do cidadão e à organização da sociedade.

Contribuição: educação como instrumento de formação intelectual, moral e política.

Aristóteles (384–322 a.C.)

Relacionou educação, ética, razão e formação para a vida na pólis.

Contribuição: desenvolvimento equilibrado das dimensões intelectual, moral e física.

Ideia central: A educação deve formar o ser humano para a vida ética e política.


4. EDUCAÇÃO ROMANA

Século III a.C. – século V d.C.

A educação romana recebeu forte influência grega, mas assumiu características relacionadas à vida jurídica, política e administrativa.

Quintiliano (35–100 d.C.)

Em Instituição Oratória, defendeu uma formação ampla do orador e valorizou a atuação do professor.

Defendia que o educador deveria conhecer as características dos alunos e utilizar métodos adequados à aprendizagem.

Contribuição: valorização da formação do professor e da pedagogia.

Ideia central: Educar é formar o indivíduo para atuar na sociedade.


5. EDUCAÇÃO CRISTÃ E MEDIEVAL

Séculos V–XV

Com a queda do Império Romano do Ocidente, as instituições religiosas assumiram papel importante na preservação e transmissão do conhecimento.

Santo Agostinho (354–430)

Relacionou educação, interioridade, conhecimento e busca da verdade.

Tomás de Aquino (1225–1274)

Integra elementos da filosofia aristotélica ao pensamento cristão.

Defendeu a importância da razão e da experiência no processo de conhecimento.

Características medievais:

  • Escolas monásticas.

  • Escolas catedrais.

  • Universidades medievais.

  • Forte presença da Igreja.

  • Ensino do trivium: gramática, retórica e dialética.

  • Ensino do quadrivium: aritmética, geometria, música e astronomia.

Ideia central: Educação como formação intelectual, moral e religiosa.


6. RENASCIMENTO E HUMANISMO

Séculos XIV–XVI

O Renascimento modifica a concepção de ser humano e amplia o interesse pelas culturas clássicas.

Erasmo de Roterdã (1466–1536)

Defendeu uma educação humanista, baseada no conhecimento, na formação moral e no desenvolvimento intelectual.

Michel de Montaigne (1533–1592)

Criticou uma educação baseada exclusivamente na memorização.

Defendeu uma formação que estimulasse o julgamento e a reflexão.

Ideia central: A educação deve desenvolver a capacidade de pensar, e não apenas transmitir informações.


7. COMENIUS E A SISTEMATIZAÇÃO DA DIDÁTICA

Século XVII

João Amós Comenius (1592–1670)

É considerado um dos grandes precursores da pedagogia moderna.

Em Didática Magna, defendeu a ideia de ensinar tudo a todos.

Principais contribuições:

  • Organização sistemática do ensino.

  • Valorização da infância.

  • Graduação das dificuldades.

  • Uso de métodos adequados ao desenvolvimento do aluno.

  • Importância dos recursos visuais e da experiência.

  • Defesa da universalização da educação.

Ideia central: A educação deve ser organizada, acessível e adequada ao desenvolvimento do aluno.


8. ILUMINISMO E ROUSSEAU

Século XVIII

O Iluminismo coloca a razão, a liberdade e a autonomia no centro das discussões educacionais.

Jean-Jacques Rousseau (1712–1778)

Em Emílio, ou Da Educação, propõe uma educação centrada na criança e em seu desenvolvimento natural.

Contribuições:

  • Valorização da infância.

  • Educação pela experiência.

  • Crítica ao autoritarismo.

  • Respeito ao desenvolvimento natural da criança.

Ideia central: A criança não deve ser tratada como um adulto em miniatura.


9. PESTALOZZI E A EDUCAÇÃO INTEGRAL

Final do século XVIII – início do XIX

Johann Heinrich Pestalozzi (1746–1827)

Defendeu uma educação que considerasse conjuntamente:

  • cabeça;

  • coração;

  • mãos.

Ou seja, dimensões intelectual, afetiva e prática.

Contribuição: fortalecimento da ideia de educação integral e aprendizagem pela experiência.


10. HERBART E A PEDAGOGIA CIENTÍFICA

Século XIX

Johann Friedrich Herbart (1776–1841)

Procurou sistematizar a pedagogia como campo de conhecimento.

Valorizou:

  • planejamento;

  • organização do ensino;

  • formação moral;

  • preparação das aulas;

  • sequência metodológica.

Contribuição: influência significativa na constituição da pedagogia moderna e da didática sistematizada.


11. FROEBEL E O JARDIM DE INFÂNCIA

Século XIX

Friedrich Froebel (1782–1852)

Criou o conceito de Kindergarten — jardim de infância.

Defendeu o brincar, a atividade e a expressão infantil como elementos fundamentais da educação.

Contribuição: uma das bases históricas da educação infantil moderna.

Ideia central: A criança aprende por meio da atividade, da interação e da experiência.


12. JOHN DEWEY E A ESCOLA NOVA

Final do século XIX – primeira metade do século XX

John Dewey (1859–1952)

É um dos principais representantes do pragmatismo e da Escola Progressiva.

Para Dewey, educação e experiência estão profundamente relacionadas.

Defendeu:

  • aprendizagem pela experiência;

  • resolução de problemas;

  • participação democrática;

  • aluno ativo;

  • escola como espaço de vida social.

Ideia central: Educação não é preparação para a vida; é parte da própria vida.


13. MARIA MONTESSORI

Início do século XX

Maria Montessori (1870–1952)

Desenvolveu uma abordagem pedagógica baseada na autonomia e na atividade da criança.

Principais conceitos:

  • ambiente preparado;

  • autonomia;

  • materiais pedagógicos;

  • aprendizagem ativa;

  • respeito ao ritmo individual;

  • professor como observador e orientador.

Ideia central: O ambiente pode favorecer a autonomia e o desenvolvimento da criança.


14. VYGOTSKY E A TEORIA SOCIOCULTURAL

Primeira metade do século XX

Lev Vygotsky (1896–1934)

Demonstrou a importância das relações sociais e da cultura para o desenvolvimento cognitivo.

Conceitos fundamentais:

  • mediação;

  • linguagem;

  • interação social;

  • internalização;

  • zona de desenvolvimento proximal.

Ideia central: O desenvolvimento e a aprendizagem são profundamente influenciados pelas relações sociais e culturais.


15. PIAGET E O CONSTRUTIVISMO

Século XX

Jean Piaget (1896–1980)

Investigou o desenvolvimento cognitivo da criança.

Propôs diferentes estágios do desenvolvimento intelectual:

  1. sensório-motor;

  2. pré-operatório;

  3. operatório concreto;

  4. operatório formal.

Contribuição: compreensão da criança como sujeito ativo na construção do conhecimento.

Ideia central: O conhecimento é construído progressivamente na interação do sujeito com o meio.


16. PAULO FREIRE E A EDUCAÇÃO DIALÓGICA

Segunda metade do século XX

Paulo Freire (1921–1997)

É um dos autores brasileiros de maior projeção internacional na área da educação.

Em Pedagogia do Oprimido, critica a educação "bancária", na qual o professor simplesmente deposita conhecimentos nos estudantes.

Defende:

  • diálogo;

  • problematização;

  • consciência crítica;

  • autonomia;

  • participação;

  • transformação social.

Ideia central: Educação é prática de liberdade e construção crítica da realidade.


17. BOURDIEU E A SOCIOLOGIA DA EDUCAÇÃO

Segunda metade do século XX

Pierre Bourdieu (1930–2002)

Analisou a relação entre educação, cultura e desigualdade social.

Conceitos importantes:

  • capital cultural;

  • habitus;

  • reprodução social;

  • violência simbólica.

Sua contribuição mostrou que a escola não pode ser analisada isoladamente das estruturas sociais.

Ideia central: A escola pode tanto possibilitar mobilidade social quanto reproduzir desigualdades existentes.


18. EDUCAÇÃO CONTEMPORÂNEA

Final do século XX – século XXI

A educação passa a enfrentar novos desafios:

  • globalização;

  • tecnologias digitais;

  • educação inclusiva;

  • diversidade cultural;

  • educação ambiental;

  • aprendizagem ao longo da vida;

  • educação híbrida;

  • inteligência artificial;

  • cultura digital;

  • novas metodologias de aprendizagem.

Autores contemporâneos como Edgar Morin, António Nóvoa, Philippe Perrenoud, Bernard Charlot e José Carlos Libâneo contribuem para a compreensão desses novos desafios.

Edgar Morin

Defende uma educação capaz de superar a fragmentação do conhecimento e desenvolver uma visão complexa da realidade.

António Nóvoa

Destaca a importância da formação e da profissionalidade docente.

Philippe Perrenoud

Discute a formação por competências e a necessidade de transformar práticas tradicionais de ensino.

José Carlos Libâneo

Analisa a didática, a formação docente, a organização escolar e as relações entre educação e sociedade.

Ideia central: A educação contemporânea precisa formar sujeitos capazes de compreender, participar e transformar uma realidade complexa e em constante mudança.


SÍNTESE DA EVOLUÇÃO HISTÓRICA

PeríodoConcepção predominanteAutores de referência
Sociedades primitivasEducação pela experiência e tradiçãoDurkheim
Antiguidade OrientalEducação religiosa, administrativa e culturalConfúcio
GréciaFormação intelectual, ética e políticaSócrates, Platão e Aristóteles
RomaFormação moral, política e retóricaQuintiliano
Idade MédiaFormação religiosa e intelectualAgostinho e Tomás de Aquino
RenascimentoHumanismo e formação integralErasmo e Montaigne
Século XVIISistematização da didáticaComenius
Século XVIIINatureza, liberdade e infânciaRousseau
Século XIXEducação integral e sistematização pedagógicaPestalozzi, Herbart e Froebel
Início do século XXEscola ativa e experiênciaDewey, Montessori
Século XXDesenvolvimento e construção do conhecimentoPiaget e Vygotsky
Século XXEducação crítica e emancipatóriaPaulo Freire
Século XXEducação e reprodução socialBourdieu
Século XXIComplexidade, competências e cultura digitalMorin, Nóvoa, Perrenoud e Libâneo

CONCLUSÃO

A História da Educação pode ser compreendida como uma longa transformação de paradigmas. A educação passou de uma prática predominantemente transmissiva e comunitária para modelos progressivamente mais sistemáticos, humanistas, científicos, ativos, construtivistas, socioculturais e críticos.

Em uma perspectiva histórica, podemos identificar uma sequência de grandes mudanças:

TRADIÇÃO → RELIGIÃO → RAZÃO → HUMANISMO → DIDÁTICA → INFÂNCIA → EXPERIÊNCIA → CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO → INTERAÇÃO SOCIAL → EMANCIPAÇÃO → COMPLEXIDADE E CULTURA DIGITAL.

Essa trajetória demonstra que não existe uma única maneira de compreender a educação. Cada período histórico produziu respostas diferentes para perguntas fundamentais: O que é educar? Para que educamos? Quem deve ser educado? O que deve ser ensinado? Como ocorre a aprendizagem? Qual é o papel do professor? Qual é o papel da sociedade?

Por isso, estudar a História da Educação não significa apenas conhecer datas e autores. Significa compreender como diferentes sociedades conceberam o ser humano, o conhecimento, a escola e a própria finalidade da educação.

PRINCIPAIS REFERÊNCIAS

ARISTÓTELES. Política. São Paulo: Martins Fontes.

BOURDIEU, Pierre; PASSERON, Jean-Claude. A reprodução: elementos para uma teoria do sistema de ensino. Rio de Janeiro: Francisco Alves.

COMENIUS, Jan Amos. Didática Magna. São Paulo: Martins Fontes.

DEWEY, John. Democracia e educação. São Paulo: Companhia Editora Nacional.

DURKHEIM, Émile. Educação e sociologia. São Paulo: Melhoramentos.

FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra.

LIBÂNEO, José Carlos. Didática. São Paulo: Cortez.

MONTESSORI, Maria. A mente absorvente. Rio de Janeiro: Nórdica.

MORIN, Edgar. Os sete saberes necessários à educação do futuro. São Paulo: Cortez.

PIAGET, Jean. Seis estudos de psicologia. Rio de Janeiro: Forense Universitária.

PLATÃO. A República. São Paulo: Martins Fontes.

ROUSSEAU, Jean-Jacques. Emílio, ou Da Educação. São Paulo: Martins Fontes.

VYGOTSKY, Lev S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes.

História da Educação no Brasil

 

O presente livro, resultado de pesquisa no campo da História da Educação no Brasil, objetiva não apenas um levantamento fatual dos principais aspectos da educação brasileira, em um período de maiores definições (o após 1930), mas também, e principalmente, procura mostrar que a evolução do ensino brasileiro – tanto em relação à sua expansão quanto em relação ao seu modelo formal – respondeu sempre a injunções de ordem econômica, social e política. O modelo de análise, utilizado em princípio, com a cautela de quem teme reduzir a História a fórmulas rígidas e mecânicas de interpretação, buscou apoiar-se, sobretudo quanto à política educacional dos últimos anos, na teoria da dependência. E aqui o objetivo específico foi o de aumentar a faixa de compreensão do sentido que toma a atual modernização do sistema de ensino no Brasil.

História da Educação e da Pedagogia

 

Desde a primeira edição, a autora discute aspectos sociais, políticos, econômicos e filosóficos pelos quais os fenômenos da educação e da pedagogia aparecem vinculados ao seu contexto histórico. Nesta quarta edição revista e atualizada, a estrutura proposta mantém aspectos importantes da obra ao mesmo tempo que introduz inovações: tópicos sobre educação e pedagogia apresentados de maneira mais entrosada; história da educação e da pedagogia brasileiras exposta ao lado da experiência de outros países a fim de comparar suas conexões e discrepâncias; amplo destaque para educação contemporânea; sugestão para seminários voltada para o aprofundamento de debates e de estímulo à pesquisa. Na esperança de dias melhores para a educação brasileira, convidamos o leitor a se perguntar durante a leitura deste livro: por que muitas das reformas de ensino não conseguiram valorizar a formação e a carreira de professores? por que ainda hoje não atingimos a educação universal, projeto que contrasta com o enorme contingente de crianças e jovens fora da escola? por que, ao contrário de outros países, não conseguimos implantar um sistema nacional de educação no brasil?

História da Educação: Da Antiguidade aos Nossos Dias

 

A principal característica deste livro é justamente falar de educação olhando para toda a sociedade, ou seja, transformando o específico espaço de uma atividade humana na janela para a compreensão dos grandes encontros e desencontros das civilizações. Isso foi possível porque Manacorda, marxista investigativo de renome internacional, sabe que o mesmo fio vermelho (filo rosso), o trabalho, que costura as diferentes formas de educação, costura também as diferentes formas da vida humana.

História da Educação: de Confúcio a Paulo Freire

 

Os professores, ao cumprirem a sua função, carregam consigo toda a trajetória de seus antecessores. Dessa forma, torna-se importante que esses profissionais tenham consciência do percurso que levou a educação aos patamares contemporâneos. Conhecendo a "sua" história, o professor pode, a partir do passado, refletir sobre o presente e, assim, aprimorar o exercício de sua atividade. Pensando nisso, os autores, especialistas na área, trazem nas páginas deste livro as ideias e contribuições de importantes personagens da história da educação. Por meio de uma abordagem cronológica e panorâmica, apresentam as ideias de pensadores representativos (do Oriente e do Ocidente, da história antiga, moderna e contemporânea), relacionadas a situações educacionais concretas, contemplando de Confúcio a Paulo Freire, passando por Sócrates, Santo Agostinho, Rousseau e Montessori, além de outros 17 educadores. Obra voltada especialmente para professores e profissionais (formados ou em formação) da área de educação.


História da Pedagogia

 


História da Educação Brasileira

 

Este livro apresenta, em linguagem acessível, concisa e rigorosa, o que é necessário saber sobre a evolução do ensino no Brasil. Atravessando a ponte entre a pedagogia e a política educacional, o livro mostra os movimentos dos partidos, as constituições, as ações dos governantes, as LDBNs, os currículos, os principais teóricos e a filosofia da educação do Brasil entre a Colônia e os nossos dias.


Minha Despedida

CARTA ABERTA

Venho por meio desta externar meu profundo agradecimento pela oportunidade a mim concedida de lecionar por mais de 10 anos na FGG para o curso de Pedagogia e por um determinado período no curso de Psicologia, e por poder colaborar com a ACE em reuniões, eventos e formaturas sempre que solicitado.

Nesse tempo lecionei as disciplinas de Filosofia da Educação, História da Educação, Projetos Educacionais, Políticas Públicas, Formação Continuada dos Docentes, Gestão Escolar, Educação e Novas Tecnologias, Educação de Jovens e Adultos, Antropologia, Sociologia da Educação e Empreendedorismo. Reconheço que mais aprendi que ensinei.

Também estendo meus agradecimentos sinceros especialmente para algumas pessoas, dentre elas destacam-se: Professora Cheila, ex-coordenadora do curso de Pedagogia, gestora competente e ética, a qual me deu a oportunidade de compor sua equipe de trabalho; Professor Petry, ex-diretor da faculdade e excelente professor de sociologia; Professor Júlio, gestor por excelência do curso de Psicologia; Agradeço a ex-secretária Jovita e a Secretária Sandra, sempre muito prestativas e educadas. Também agradeço a professora empreendedora Marília, a qual tive o privilégio de ser aluno e mais tarde colega de trabalho; E a amiga Elisabeth, ex-professora da pedagogia, sempre muito comprometida, atualmente colega de trabalho na SDR/GERED. Meu muito obrigado ao Luciano, sempre muito prestativo e excelente funcionário. Também estendo meus agradecimentos a toda equipe administrativa e corpo docente do curso de Pedagogia da FGG.

Ao corpo discente desejo muito sucesso enquanto acadêmicos e acadêmicas do curso de Pedagogia, especialmente para aqueles e aquelas que por algum período tive a honra de ter como meus alunos e alunas. A vocês desejo também sucesso profissional, sempre pautado pela ética e pelo comprometimento.

Lembrem-se que: “uma visão de futuro sem ação é apenas um sonho; Uma ação sem visão de futuro é apenas um passatempo; Porém, uma visão de futuro com ação planejada pode causar uma revolução pessoal e profissional positiva”. Por isso, digo a todos e a todas, mesmo para aqueles e aquelas que por alguma razão não entenderam minha proposta pedagógica de trabalho: “acredite em você, tenha pensamentos de sucesso, palavras de sucesso, ações de sucesso, hábitos de sucesso e acima de tudo caráter, e certamente o teu destino só poderá ser o sucesso pessoal e profissional”!

Mais uma vez muito obrigado por tudo e que Deus nos dê sabedoria e ilumine a todos nós.

Cordialmente,

Professor Jorge Schemes.



Linha do Tempo da História da Educação no Brasil

Ementa da Disciplina de História da Educação II - Curso de Pedagogia da FGG/ACE

Nome e código do componente curricular:

História da Educação II

Semestre:


Carga horária:

36h/a

Modalidade

Disciplina
Função:

Básica
Natureza:

Obrigatória
Pré-requisito



EMENTA

Estudo analítico do processo educativo, com ênfase nas sociedades modernas e contemporâneas. Destaque às organizações educacionais, às perspectivas pedagógicas e às práticas educacionais, explicitando-as em sua relação com os diversos contextos históricos e sociais.


OBJETIVOS

Capacitar o acadêmico a compreender a historicidade própria das instituições pedagógicas, com ênfase nas relações entre práticas escolares e acervo de conhecimento, escolarização e processos sociais.


CONTEÚDO PROGRAMÁTICO

Os Grandes Marcos da época Contemporânea;
Tendência Psicológica; Tendência Tecnológica; Tendência Sociológica.
As principais transformações sociais  e econômicas na segunda metade do século XIX e a educação / Anarquismo e Educação / Os anos 20 e o movimento de “renovação” educacional / A Revolução de 30 e a educação: principais iniciativas governamentais Educação e confronto político nos anos 30 / O manifesto dos Pioneiros da Ed. Nova;
A Companhia de Jesus e a Coroa portuguesa / A crise da sociedade ocidental (1914-1945) e as novas perspectivas educacionais: escovalismo, Dewey, Montessori, Makarenko, Vygostky, Neil, Piaget, Freinet, Skinner, etc;/ A crise da sociedade ocidental e o Brasil: a “Era Vargas” e a organização do sistema educacional;
•  “Século de Ouro” e o racionalismo clássico: Descartes e a pedagogia da inteligência; A ilustração como projeto educacional ;/Tradição e inovação na educação do século XIX;
Alguns dilemas da educação contemporânea; A educação do mundo atual.
Estratégias: Debates;Seminários; Dramatizações;Trabalhos em grupo;
•  Produção de textos; Filmes; Livros e apostilas;

AVALIAÇÃO

Prova escrita e avaliação dos trabalhos de leituras e participação nos debates;
Trabalhos de pesquisa; Assiduidade;
Considerar: - Aproveitamento: Dar realce aos aspectos qualitativos da produção, teste e produção de textos. Apresentação das aulas de simulação. (individual ou em grupo); - Participação: relacionada à execução das tarefas propostas, à comunicação em sala de aula em cada encontro extra-classe; - Freqüência: e pontualidade às aulas e a realização das tarefas nas datas previstas. Organização do material recebido;


REFERÊNCIAS BÁSICAS

CAMBI, Franco. História da Pedagogia. São Paulo: UNESP, 1999.
GADOTTI, Moacir. História das Idéias Pedagógicas. Série Educação. 8ª ed.São Paulo:  Ática, 2001
LIMA, Lauro de Oliveira. Estórias da educação no Brasil: De Pombal a Passarinho. 2ª ed. ª ed. Rio de Janeiro: Editora Brasília.


REFERÊNCIAS COMPLEMENTARES

AZEVEDO, Janete M. L. de. A Educação como política Pública. Campinas: Autores associados, 1997.
BRANDÃO, Zaia (org). A Crise dos Paradigmas e a Educação. São Paulo:Cortez, 1996. (Col. Questões da Nossa Época; v.35)
DIEHL, Astor Antonio. Cultura Historiográfica Brasileira: década de 1930 aos anos 1970. Passo Fundo: UPF Editora, 1999.
ENGUITA, Mariano F. A face Oculta da Escola: Educação e tranalho no Capitalismo. (Trad. Tomaz Tadeu da Silva). Porto Alegre: Artes Médicas, 1989.
FRIGOTTO, Gaudêncio. Cidadania e Formação Técnico-Profissional: desafios neste fim de século. IN; SILVA, Luiz Heron (org) Novos Mapas Culturais, Novas Perspectivas Educacionais. Porto Alegre: Sulina, 1996.
MANACORDA, Mário A. Marx e a pedagogia moderna. São Paulo: Cortez, 1991.
MANACORDA, Mário A. História da Educação: da Antigüidade aos nossos dias. 7 ed. São Paulo, Cortez, 1999.
SACRISTAN, J. Gimeno. Compreender e Transformar o Ensino. 4 ed. Artes Médicas, 1998.

Trabalho de História da Educação II 2ª Parte


Trabalho de História da Educação II 2ª Parte

ASSOCIAÇÃO CATARINENSE DE ENSINO – ACE
FACULDADES GUILHERME GUIMBALA – FGG
CURSO DE PEDAGOGIA – 2º PERÍODO
DISCIPLINA: HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO II
PROFESSOR: JORGE SCHEMES


TRABALHO DE PESQUISA – 2ª Parte


Requisito 01:
O trabalho é individual e deve ser manuscrito.

Referência Bibliográfica para Pesquisa:
CAMBI, Franco. História daPedagogia. São Paulo; UNESP, 1999, págs. 85 a 192.

1. Quais foram os impactos da cultura helenística em Roma e o que mudou na pedagogia? 
2. Defina as características da “humanitas” (Paidéia) para os seguintes filósofos: a) Cícero. b) Varrão. c) Quintiliano. d) Epicteto. e) Sêneca. f) Marco Aurélio.
3. Quanto aos graus, quais as características da escola em Roma?
4. Quanto às classes sociais, como estava dividida a escola em Roma?
5. Descreva como foi a relação de poder entre a cultura pagã e a cultura cristã, e como isso afetou a educação.
6. Descreva a nova Paidéia Cristã e como era o seu currículo.
7. Defina como era a nova Paidéia Cristã dos seguintes filósofos: a) Tertuliano. b) Clemente e Orígenes. c) Padres Capadócios. d) Jerônimo.
8. Descreva as características do Monasticismo como uma escola a serviço de Deus.
9. Quais papéis a cultura cristã atribuiu à família, à mulher e à infância?
10. Descreva a pedagogia de Santo Agostinho.
11. Qual o modelo da escola na Idade Média e o que mudou hoje?
12. Qual a concepção de Homem e de mundo no período medieval e como isso afetou a educação Ocidental?
13. Quais as características da educação na Alta Idade Média?
14. Quais as características da Baixa Idade Média e suas implicações na educação?
15. Descreva os principais efeitos históricos e filosóficos da Idade Média para a época Moderna.
16. O que foi a Escolástica?
17. Sintetize o pensamento dos seguintes filósofos: a) Abelardo. b) Hugo de Saint-Victor. c) Tomás de Aquino. d) Boaventura de Bagnoregio. e) Francisco Petrarca. f) Dante Alighieri.
18. Assista o filme: “Lutero” e faça um breve relatório, destacando aspectos relacionados ao contexto cultural e educacional da época.
19. Assista o filme: “Marco Polo”, ou o filme: “Em Nome de Deus” (Heloísa e Abelardo) e faça um breve relatório, destacando aspectos relacionados ao contexto cultural e educacional da época.

Requisito 02:
O trabalho deve ser entregue até a penúltima aula do Bimestre, em mãos, em sala de aula para o professor. Após a data estabelecida o trabalho não será mais aceito.

 Avaliação:
O trabalho completo valerá 20 pontos.


Trabalho de História da Educação II 1ª Parte


ASSOCIAÇÃO CATARINENSE DE ENSINO – ACE
FACULDADES GUILHERME GUIMBALA – FGG
CURSO DE PEDAGOGIA – 2º PERÍODO
DISCIPLINA: HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO II
PROFESSOR: JORGE SCHEMES


TRABALHO DE PESQUISA – 1ª Parte


Requisito 01:
O trabalho é individual e deve ser manuscrito.

Referência Bibliográfica para Pesquisa:
CAMBI, Franco. História da Pedagogia. São Paulo; UNESP, 1999, págs. 85 a 191.

1. Qual é a definição de Paidéia? Descreva como se deu o nascimento da Paidéia.
2. Descreva como era a atividade educativa dos Sofistas.
3. Descreva a Paidéia de Sócrates.
4. Descreva a Paidéia de Platão.
5. Descreva a Paidéia de Isócrates.
6. Descreva a Paidéia de Aristóteles.
7. Descreva a Paidéia de Xenofonte.
8. Descreva as características do Helenismo.
9. Descreva a Paidéia de Luciano.
10. Descreva a Paidéia de Plutarco.
11. Descreva a Paidéia de Sexto Empírico.
12. Quais as características dos Thyasos Gregos?
13. Quais as características das escolas dos Sofistas?
14. Quais as características da Escola Estatal na Pólis (Esparta e Atenas)?
15. Quais as características da Academia?
16. Quais as características do Liceu?
17. Quais as características da época helenística e como estava dividida a educação?
18. Descreva os três aspectos que pesaram, de modo particular, sobre a Tradição Educativa Ocidental.
19. Assista o filme: “Alexandre” e faça um breve relatório, destacando aspectos relacionados ao contexto cultural e educacional da época.
20. Assista o filme: “Gladiador” e faça um breve relatório, destacando aspectos relacionados ao contexto cultural e educacional da época.

Requisito 02:
O trabalho deve ser entregue até a penúltima aula do Bimestre, em mãos, em sala de aula para o professor. Após a data estabelecida o trabalho não será mais aceito.


Avaliação:
O trabalho completo valerá 20 pontos.

Ementa da Disciplina de História da Educação - FGG/ACE - Curso de Pedagogia.


FACULDADE GUILHERME GUIMBALA – FGG/ACE - PEDAGOGIA
Nome do componente curricular:

História da Educação I
Semestre:

1°
Carga horária:

36 h/a


Modalidade:

Disciplina Presencial
Função:

Básica
Natureza:

Obrigatória
Professor:

Jorge Schemes

EMENTA:

Concepções e objetivos da História da Educação. Inter-relações da História da Educação e sua importância para compreensão da realidade educacional contemporânea. A história das ideias pedagógicas nos diferentes tempos históricos e suas implicações para a pedagogia hoje. As práticas educativas nas sociedades antigas, medievais, modernas e contemporâneas.


OBJETIVOS:

- Estabelecer relações entre características relevantes da Pedagogia no decorrer dos diferentes tempos históricos e as práticas atuais.
- Proporcionar aos acadêmicos um estudo teórico, que possibilite a compreensão da História da Educação, relacionando-a com o modo de organização da sociedade onde vivemos.
- Discutir as diferentes teorias e práticas pedagógicas no decorrer da história, estimulando um pensamento pós-crítico em relação a educação.
- Refletir a escola como espaço de inclusão e de compromisso com a socialização do conhecimento.

CONTEÚDO PROGRAMÁTICO:

- A educação na antiguidade grega: processos, práticas e saberes educativos da sociedade e cultura grega.
- Os ideais pedagógicos da Paideia e da Humanitas.
- Da educação dos Sofistas a Sócrates, Platão e Aristóteles.
- A educação no período helenístico.
- A educação na antiguidade romana: práticas e saberes educativos.
- Processos, práticas e saberes educativos da sociedade medieval.
- A transmissão da cultura: da Grécia antiga à Idade Média.
- Os grandes educadores da Idade Média.
- A educação no período do Renascimento.
- O Humanismo e a Reforma protestante.
- A Contra-Reforma e a educação Católica.
- O Iluminismo e a Idade Moderna: a pedagogia Realista.
- História da escolarização nas sociedades modernas do ocidente.
- O Século das Luzes: o ideal liberal da educação iluminista.
- Aspectos da educação moderna, pós-moderna e contemporânea.


METODOLOGIA:

- Aulas expositivas e dialogadas.
- Trabalhos individuais, em duplas ou em equipes.
- Seminário, debates e discussões.
- Utilização das Tecnologias da Comunicação e Informação (TICs).
- Leituras e pesquisas.
- Questionários, sínteses e resumos.

AVALIAÇÃO:

- Assiduidade, pontualidade e participação em classe.
- Trabalhos escritos.
- Apresentação e socialização de trabalhos.
- Relatórios, leituras e pesquisas.
- Participação nas atividades de sala.
- Prova escrita.


REFERÊNCIAS BÁSICAS:

ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. História da Educação. São Paulo: Moderna, 1996.

GADOTTI, Moacir. História das Idéias Pedagógicas. São Paulo: Ática, 2004.



REFERÊNCIAS COMPLEMENTARES:

LOMBARDI, José Claudinei (Org.). Pesquisa em educação: história, filosofia e temas transversais. Campinas: Autores Associados, 1999.

LUZURIAGA, Lorenzo. História da educação e da pedagogia. 12a ed. São Paulo: Nacional, 1999.

MANACORDA, Mário. A História da Educação: da antiguidade aos nossos dias. 7a ed. São Paulo, 1999.

Texto para Atividade: Resumo Sobre Alguns Aspectos da História da Educação


DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE:

1. Leitura individual do texto: "Resumo Sobre a História da Educação".
2. Atividade em dupla ou individual - Procedimentos:
2.1 Elaborar um caderno com a "linha do tempo" sobre os aspectos mencionados no texto.
2.2 Utilizar gravuras e ilustrações para cada período da linha do tempo (mínimo duas).
2.3 Pesquisar mais informações para complementar os aspectos mencionados no texto.
2.4 Acrescentar essas informações na linha do tempo especificando melhor cada período (pesquisar em pelo menos mais três fontes ou referências).
2.5 Mencionar todas as fontes e/ou referências pesquisadas dentro da Metodologia Científica.
2.6 Selecionar um aspecto ou período da linha do tempo para ser socializado em sala de aula.
2.7 Preparar uma apresentação oral sobre o período escolhido justificando sua relevância para a educação hodierna.
2.8 Entrega da atividade até a data especificada valendo 20 (Vinte) pontos.

RESUMO SOBRE A HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO

Pedagogia é a teoria crítica da educação, isto é, da ação do homem quando transmite ou modifica a herança cultural. A educação não é um fenômeno neutro, mas sofre os efeitos da ideologia, por estar de fato envolvida na política.

1. Sociedades Tribais: A Educação Difusa.

Nas comunidades tribais as crianças aprendem imitando os gestos dos adultos nas atividades diárias e nas cerimônias dos rituais. As crianças aprendem "para a vida e por meio da vida", sem que alguém esteja especialmente destinado a tarefa de ensinar.

2. Antiguidade Oriental: A Educação Tradicionalista.

Nas sociedades orientais, ao se criarem segmentos privilegiados, a população, composta por lavradores, comerciantes e artesãos, não tem direitos políticos nem acesso ao saber da classe dominante. A princípio o conhecimento da escrita é bastante restrito, devido ao seu caráter sagrado e esotérico. Tem início, então, o dualismo escolar, que destina um tipo de ensino para o povo e outro para os filhos dos funcionários. A grande massa é excluída da escola e restringida à educação familiar informal.

3. Antiguidade Grega: A Paidéia.

A Grécia Clássica pode ser considerada o berço da pedagogia. A palavra paidagogos significa aquele que conduz a criança, no caso o escravo que acompanha a criança à escola. Com o tempo, o sentido se amplia para designar toda a teoria da educação. De modo geral, a educação grega está constantemente centrada na formação integral – corpo e espírito – mesmo que, de fato, a ênfase se deslocasse ora mais para o preparo esportivo ora para o debate intelectual, conforme a época ou lugar. Nos primeiro tempos, quando não existia a escrita, a educação é ministrada pela própria família, conforme a tradição religiosa. Apenas com o advento das póleis começam a aparecer as primeiras escolas, visando a atender a demanda.

4. Antiguidade Romana: A Humanitas.

De maneira geral, podemos distinguir três fases na educação romana: a latina original, de natureza patriarcal; depois, a influência do helenismo é criticada pelos defensores da tradição; por fim, dá-se a fusão entre a cultura romana e a helenística, que já supõe elementos orientas, mas nítida supremacia dos valores gregos.


5. Idade Média: A Formação do Homem de Fé.

Os parâmetros da educação na idade média se fundam na concepção do homem como criatura divina, de passagem pela Terra e que deve cuidar, em primeiro lugar, da salvação da alma e da vida eterna. Tendo em vista as possíveis contradições entre fé e razão, recomenda-se respeitar sempre o princípio da autoridade, que exige humildade para consultar os grandes sábios e intérpretes, autorizados pela igreja, sobre a leitura dos clássicos e dos textos sagrados. Evita-se, assim, a pluralidade de interpretações e se mantém a coesão da igreja. Predomina a visão teocêntrica, a de Deus como fundamento de toda a ação pedagógica e finalidade da formação do cristão. Quanto às técnicas de ensinar, a maneira de pensar rigorosa e formal cada vez mais determina os passos do trabalho escolar.

6. Renascimento: Humanismo e Reforma.

Educar torna-se questão de moda e uma exigência, segundo a nova concepção de homem. O aparecimento dos colégios, do século XVI até o XVIII, é fenômeno correlato ao surgimento de uma nova imagem da infância e da família. A meta da escola não se restringe à transmissão de conhecimentos, mas a formação moral. Essa sociedade, embora rejeite a autoridade dogmática da cultura eclesiástica medieval, mantém-se ainda fortemente hierarquizada: exclui dos propósitos educacionais a grande massa popular, com exceção dos reformadores protestantes, que agem por interesses religiosos.


7. Brasil: Início da Colonização e Catequese - Os Jesuítas.

A atividade missionária dos Jesuítas facilita sobremaneira a dominação metropolitana e, nessas circunstâncias, a educação assume papel de agente colonizador.

8. Idade Moderna: A Pedagogia Realista.

De maneira geral as escolas continuam ministrando um ensino conservador, predominantemente nas mãos dos jesuítas. Além disso, é preciso reconhecer, está nascendo a escola tradicional, como passaremos a conhecê-la a partir do século XIX.


9. O Brasil do Séc. XVII:

Por se tratar de uma sociedade agrária e escravista, não há interesse pela educação elementar, daí a grande massa de iletrados.


10. Século das Luzes: O Ideal liberal de Educação.

O iluminismo é um período muito rico em reflexões pedagógicas. Um de seus aspectos marcantes está na pedagogia política, centrada no esforço para tornar a escola leiga e função do Estado. Apesar dos projetos de estender a educação a todos os cidadãos, prevalece a diferença de ensino, ou seja, uma escola para o povo e outra para a burguesia. Essa dualidade era aceita com grande tranquilidade, sem o temor de ferir o preceito de igualdade, tão caro aos ideais revolucionários. Afinal, para a doutrina liberal, o talento e a capacidade não são iguais, e portanto os homens não são iguais em riqueza.


11. O Brasil na Era Pombalina:

Persiste o panorama do analfabetismo e do ensino precário, agravado com a expulsão dos jesuítas e pela democracia da reforma pombalina. A educação está a deriva. Durante esse longo período do Brasil colônia, aumenta o fosso entre os letrados e a maioria da população analfabeta.


12. Século XIX: A Educação Nacional.

É no séc. XIX que se concretizam, com a intervenção cada vez maior do Estado para estabelecer a escola elementar universal, leiga, gratuita e obrigatória. Enfatiza-se a relação entre educação e bem-estar social, estabilidade, progresso e capacidade de transformação. Daí, o interesse pelo ensino técnico ou pela expansão das disciplinas científicas.


12.1 Alguns dos Principais Pedagogos:

Pestalozzi – é considerado um dos defensores da escola popular extensiva a todos. Reconhece firmemente a função social do ensino, que não se acha restrito à formação do gentil-homem.

Froebel – privilegia a atividade lúdica por perceber o significado funcional do jogo e do brinquedo para o desenvolvimento sensório-motor e inventa métodos para aperfeiçoar as habilidades.

Herbart – segundo ele, a conduta pedagógica segue três procedimentos básicos: o governo, a instrução e a disciplina.


13. Brasil: A Educação no Império.

Ainda não há propriamente o que poderia ser chamada de uma pedagogia brasileira. É uma atuação irregular, fragmentária e quase nunca com resultados satisfatórios. O golpe de misericórdia que prejudicou de uma vez a educação brasileira vem de uma emenda à Constituição, o Ato adicional de 1834. Essa reforma descentraliza o ensino, atribuindo à Coroa a função de promover e regulamentar o ensino superior, enquanto que as províncias são destinadas a escola elementar e a secundária. A educação da elite fica a cargo do poder central e a do povo confinada às províncias.


14. Século XX: A Educação Para a Democracia.

A pedagogia do século XX, além de ser tributária da psicologia, da sociologia e de outras como a economia, a linguística, a antropologia, tem acentuado a exigência que vem desde a Idade moderna, qual seja, a inclusão da cultura científica como parte do conteúdo a ser ensinado.


14.1 Sociologia: E. Durkheim.

Antes dele a teoria da educação era feita de forma predominantemente intelectualista, por demais presa a uma visão filosófica idealista e individualista. Durkheim introduz a atitude descritiva, voltada para o exame dos elementos do fato da educação, aos quais aplica o método científico.


14.2 Psicologia: Behaviorismo.

O método dessa corrente privilegia os procedimentos que levam em conta a exterioridade do comportamento, o único considerado capaz de ser submetido a controle e experimentação objetivos. Suas experiências são ampliadas e aplicadas nos EUA por Watson e posteriormente por Skinner. O behaviorismo está nos pressupostos da orientação tecnicista da educação.


14.3 Gestalt:

As aplicações das descobertas gestaltistas na educação são importantes por recusar o exercício mecânico no processo de aprendizagem. Apenas as situações que ocasionam experiências ricas e variadas levam o sujeito ao amadurecimento e à emergência do insight.

14.4 J. Dewey: A Escola Progressiva.

O fim da educação não é formar a criança de acordo com modelos, nem orientá-la para uma ação futura, mas dar-lhe condições para que resolva por si própria os seus problemas. A educação progressiva consiste justamente no crescimento constante da vida, à medida que aumentamos o conteúdo da experiência e o controle que exercemos sobre ela. Ao contrário da educação tradicional, que valoriza a obediência, John Dewey estimula o espírito de iniciativa e independência, que leva à autonomia e ao autogoverno, virtudes de uma sociedade democrática.

15. Principais Características da Escola Nova:

educação integral (intelectual, moral, física); educação ativa; educação prática, sendo obrigatórios os trabalhos manuais; exercícios de autonomia; vida no campo; internato; co-educação; ensino individualizado. Para tanto as atividades são centradas nos alunos, tendo em vista a estimulação da iniciativa. Escolas de métodos ativos: Montessori e Decroly Montessori estimula a atividade livre concentrada, com base no princípio da auto-educação. Decroly observa, de maneira pertinente, que, enquanto o adulto é capaz de analisar, separar o todo em partes, a criança tende para as representações globais, de conjunto. Resta lembrar outros riscos dessa proposta: o puerilismo ou pedocentrismo supervaloriza a criança e minimiza o papel do professor, quase omisso nas formas mais radicais do não-diretivismo; a preocupação excessiva com o psicológico intensifica o individualismo; a oposição ao autoritarismo da escola tradicional resulta em ausência de disciplina; a ênfase no processo faz descuidar da transmissão do conteúdo.

15.1 Teoria Socialista – Gramsci: A educação proposta por ele está centrada no valor do trabalho e na tarefa de superar as dicotomias existentes entre o fazer e o pensar, entre cultura erudita e cultura popular. Teorias crítico-reprodutivistas Por diversos caminhos chegaram a seguinte conclusão: a escola está de tal forma condicionada pela sociedade dividida que, ao invés de democratizar, reproduz as diferenças sociais, perpetuando o status quo.

15.2 Teorias Progressistas – Snyders: Contra as pedagogias não-diretivas, defende o papel do professor, a quem atribui uma função política. Condena a proposta de desescolarização de Ivan Illich. Ressalta o caráter contraditório da escola, que pode desenvolver a contra-educação.

15.3 Teorias Antiautoritárias – Carl Rogers: Visam antes de tudo colocar o aluno como centro do processo educativo, como sujeito, livrando-o do papel controlador do professor. O professor deve acompanhar o aluno sem dirigi-lo, o que significa dar condições para que ele desenvolva sua experiência e se estruture, por conta própria. O principal representante dessa teoria é Carl Rogers. Segundo ele, a própria relação entre as pessoas é que promove o crescimento de cada uma, ou seja, o ato educativo é essencialmente relacional e não individual.


16. Escola Tecnicista:

Proposta consiste em: planejamento e organização racional da atividade pedagógica; operacionalização dos objetivos; parcelamento do trabalho, com especialização das funções; ensino por computador, telensino, procurando tornar a aprendizagem mais objetiva.

17. Teorias Construtivistas:

17.1 Piaget: segundo ele, à medida que a influência do meio altera o equilíbrio, a inteligência, que exerce função adaptativa por excelência, restabelece a auto-regulação.

17.2 Vygotsky: Ao analisar os fenômenos da linguagem e do pensamento, busca compreendê-los dentro do processo sócio-histórico como "internalização das atividades socialmente enraizadas e historicamente desenvolvidas". Portanto, a relação entre o sujeito que conhece e o mundo conhecido não é direta, mas se faz por mediação dos sistemas simbólicos.

18. Brasil no Século XX: O Desafio da Educação.

Nesse contexto, os educadores da escola nova introduzem o pensamento liberal democrático, defendendo a escola pública para todos, a fim de se alcançar uma sociedade igualitária e sem privilégios. Podemos dizer que Paulo Freire é um dos grandes pedagogos da atualidade, não só no Brasil, mas também no mundo. Ele se embasa em uma teologia libertadora, preocupada com o contraste entre a pobreza e a riqueza que resulta privilégios. Em sua obra Pedagogia do Oprimido faz uma abordagem dialética da realidade, cujos determinantes se encontram nos fatores econômicos, políticos e sociais. Considera que o conhecer não pode ser um ato de "doação" do educador ao educando, mas um processo que se estabelece no contato do homem com o mundo vivido. E este não é estático, mas dinâmico, em contínua transformação. Na educação autêntica, é superada a relação vertical entre educador e educando e instaurada a relação dialógica. Paulo Freire defende a autogestão pedagógica, o professor é um animador do processo, evitando as formas de autoritarismo que costumam minar a relação pedagógica. Na década de 70 destaca-se a produção teórica dos críticos-reprodutivistas, que desfazem as ilusões da escola como veículo da democratização. Com a difusão dessas teorias no Brasil, diversos autores se empenham em fazer a reeleitura do nosso fracasso escolar. A tarefa da pedagogia histórico-crítica se insere na tentativa de reverter o quadro de desorganização que torna uma escola excludente, com altos índices de analfabetismo, evasão, repetência e, portanto, de seletividade. Para Saviani, tanto as pedagogias tradicionais como a escola nova e a pedagogia tecnicista são, portanto, não-críticas, no sentido de não perceberem o comprometimento político e ideológico que a escola sempre teve com a classe dominante. Já a partir de 70, começam a ser discutidos os determinantes sociais, isto é, a maneira pela qual a estrutura sócio-econômica condiciona a educação. O trunfo de se tornar um dos países mais ricos contrasta com o fato de ser um triste recordista em concentração de renda, com efeitos sociais perversos: conflitos com os sem-terra, os sem-teto, infância abandonada, morticínio nas prisões, nos campos, nos grandes centros. Persiste na educação uma grande defasagem entre o Brasil e os países desenvolvidos, porque a população não recebeu até agora um ensino fundamental de qualidade.


19. A Educação no Terceiro Milênio:

A explosão dos negócios mundiais, acompanhada pelo avanço tecnológico da crescente robotização e automação das empresas, nos faz antever profundas modificações no trabalho e, consequentemente, na educação. Na tentativa de incorporar os novos recursos, no entanto, a escola nem sempre tem obtido sucesso porque, muitas vezes, apenas adquire as novas máquinas sem, no entanto, conseguir alterar a tradição das aulas acadêmicas. Diante das transformações vertiginosas da alta tecnologia, que muda em pouco tempo os produtos e a maneira de produzi-los, criando umas profissões e extinguindo outras. Daí a necessidade de uma educação permanente, que permita a continuidade dos estudos, e portanto de acesso às informações, mediante uma auto-formação controlada.

[Bibliografia: ARANHA, Maria Lúcia Arruda - Autor do Texto:  Valdivino Alves de Sousa - Fonte: Artigos.com]